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. O que conto de algum canto .

E ao amanhecer à beira do Açu, no céu ainda havia luar. Do outro lado nascia o Sol iluminando a grama verde refletindo seus raios ainda coberta por orvalho. O movimento das águas com o vento, dava vontade de cair lago à dento. E nada mais fazia tanto sentido quanto aquele momento. As mãos se entrelaçavam e os braços se encontravam numa busca incessante, e tudo estava completo. A Lua despedindo-se de mais um dia enquanto o Sol nos dava bom dia, o calor do corpo quente pesando um sobre o outro sentindo o cheiro de gente de pele de carne. E os sorrisos, ah... Os sorrisos que sussurravam ao pé do ouvido. Então o dia realmente foi nascendo em dia quando a Lua não mais era vista. O Sol reinava puro e imponente, sendo, naquele momento o único espectador dos olhares inebriantes e ao mesmo tempo misteriosos que ambos trocavam. Não eram necessárias muitas palavras, as atitudes falavam por si só e revelava até os segredos. Quando o Sol subiu em glória e os olhos descansados se fecharam para o mundo ainda com as costas sobre a grama molhada, eles sabiam que a memória não lhes permitiria esquecer nem se quer por uns instantes aquela sensação. E o som do vento tocando as árvores mais altas, não posso deixar de citar, foi a trilha sonora da mais pura beleza de bem estar. Se bem me quer ou mal me quer, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que bem passou, bem se foi, bem vivi. Mal pude me conter, mal pude acreditar, mal pude resistir. E o que a mente da gente nos faz pensar, é que o tempo para pra que momentos como esses existam. Eu já desconfiava que a vida era o que acontecia enquanto perdíamos tempo planejando, mas naquele momento eu tava realmente vivendo pra que os planos pudessem existir.
 - Jenny Guimarães -  
"Todo dia o Sol levanta e a gente canta ao Sol de todo dia
Finda a tarde a terra cora e a gente chora porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa a gente dança venerando a noite "
(Caetano Veloso) 

. limitado e impotente .

Já faz um tempo que nada é bom o suficiente ao ponto de me tirar o fôlego e o único arrepio que tenho sentido ultimamente são das mudanças bruscas de temperatura nessa época do ano. Nada é tão sem graça quanto essa obviedade, tudo previsível demais pra ser excitante. A verdade é que estou cansada de tudo que é comum ou normal demais. Se tem explicação já não me serve. Prefiro apostar nas exceções. Ser ímpar nos torna especial, sem  necessidade de afirmação.

. Síndrome .



Quando tinha 16 anos, achei que aos 23 estaria casada, com um filho, escritórios com janelas e uma bela vista com diversão à noite. Se fosse assim, eu já devia estar dirigindo meu C3. Mas a vida insiste em me decepcionar, nem tudo  funciona assim, agora eu sei. Em um certo momento você para de se dar prazos porque pode ser contraprodutivo. 
Às vezes parece que o sucesso não importa se eu não estiver com o cara certo. E eu realmente achei que ele fosse o cara certo, aliás, eu poderia ter feito dar certo porque ele realmente tinha tudo a ver, sabia? Engenheiro, formado, adora cachorros, gosta de comédias, 1,72m, cabelo castanho, olhos meigos e um belo sorriso. Trabalha atrás de um computador, mas gosta de ar livre no fim de semana e curte a natureza. Sempre o imaginei com um nome simples como Rafael, João ou Marcos.
Meu medo é chegar aos 34 anos achando que todos os requisitos físicos saem voando pela janela. Porque na síndrome dos 34 você, secretamente, reza para que ele apenas seja mais alto que você e que tenha um pouco de cabelo na cabeça. Que não seja um babaca, alguém que curta a sua companhia. Um belo sorriso. É, um belo sorriso pode ser suficiente, que seja de boa família porque você não pensa nisso aos 16. Você só pensa em ter filhos, se ainda não tem nenhum e... Não sei. Só quer achar alguém que queira filhos. Que goste e queira filhos. Saudável o bastante para brincar com os filhos. E em sinal de favor, Você deixa ele ganhar mais dinheiro que você.
Mas nem isso é um problema atualmente, eu tenho 21, e toda a idealização dos 16 já foi por água a baixo... Posso não entender isso agora mas, acredito que entenderei um dia. Senão, é uma receita para o desastre. Hoje, aos 21, não me importo em casar com a minha carreira. E também não espero que ela me abrace na cama ao adormecer. Só não quero me acomodar. A acomodação é fracasso por definição. Mas quando eu achar a pessoa certa, não vai mais parecer acomodação. E a única pessoa que restará para me julgar será a garota de 23 anos com um alvo nas minhas costas...

Não sou dessas...

Sou do tipo que saio de manhã e só volto de madrugada, bêbada, descabelada, maquiagem borrada de fim de noite, sapatos na mão e os pés descalços pela rua de paralelepípedos. Desfilo a noite inteira como quem sabe o que quer, mas prefere não dizer. Eu não escondo minhas intenções de ninguém, eu não presto e eles sabem disso. Mas isso já não faz tanta diferença. Eu estou sempre ali, com meu ar de ''olha como eu sou segura'' e ao mesmo tempo ''Já ta na hora dessa casca quebrar'', mas não tem nenhum filho da puta que saiba pelo menos o meu nome e ande de mãos dadas comigo de dia por aí, sem vergonha, sem receio do que vão pensar, sem a desculpa de estar bêbado, sem o medo de acordar e eu simplesmente estar ali do lado. Eu não quero que ele saiba minha cor favorita, nem as musicas que eu gosto de escutar, qualquer um que me adcione no facebook sabe disso. Não tô pedindo flores nem nada desses romantismos baratos.  Eu me contento com tão pouco, meia dúzia de palavras bonitas e um sorriso no final de cada frase e pronto, já me dou por satisfeita. Eu não vou ligar o tempo todo, nem pedir explicações, não quero conhecer seus pais, nem ficar amiga dos seus amigos, não vou querer que durma na minha casa e me traga água na cama de manhã. Eu não sou dessas, não sou exigente, não sou chata, não sou mesmo, só quero você aqui, enquanto o DJ toca um funk qualquer, entre uma cerveja e outra. Não vai ser pra sempre se você não quiser. E mesmo assim, apesar disso tudo, seremos alguma coisa que não sabemos explicar, mas algo diferente de meros conhecidos, até quando nos permitimos lembrar. Só não me peça pra amar de menos,  querer às vezes e gostar um pouquinho. Não sei lidar com metades.

. E se...

"Para Ler ouvindo 'Se' - Djavan"

Por mim, eu ficaria, como todas as outras noites. Mas sempre vem a razão me jogando um balde de agua fria. Sempre escuto aquela voz dizendo pra eu ir embora. Não que eu seja menos imoral ou atenda às expectativas da política de boa impressão, apenas deixo que isso, que ainda não entendo, tome algumas decisões por mim. Mas com ele, é diferente.

Ele sempre aparece querendo tudo como quem não quer nada, e eu na tentativa de mudar o presente, confundir a solidão e afastar pré-julgamentos, me recolho a tudo que em que não acredito por um mero capricho da minha imaginação. Capricho sim, porque quem vive amores impossíveis e sonha para que sejam infinitos apenas sonha e não vive amor algum. Me contaram que tudo é possível quando se ama. Mas isso não passa de um clichê barato do amor, que só vende cartões no dia dos namorados,  nunca me contentei com isso. E sempre preferi agir à esperar. Mas quem muito espera um abraço só recebe beliscões indesejáveis.

E se ele bebesse menos e me olhasse mais? Se ele ao menos pegasse na minha mão tantas vezes quantas ele pega no copo, me daria por satisfeita. Mas é muito mais fácil me esconder, me ter em segredo. É cômodo e não dá trabalho. Meu telefone não muda a cada noitada, e meu endereço continua o mesmo, meu msn está sempre logado e eu nunca estou ausente, pelo contrário, estou sempre ali, com com meu ar de quem não quer nada, esperando por uma atitude dele. Eu também não me importo, é cômodo e não dá trabalho. Mas como tudo na vida, um dia a gente cansa. Já tive todas as frases feitas na ponta da língua, esperando apenas serem pronunciadas, mas sempre engasga. O 'não' sempre tem cara de 'sim', fruto da emoção descontrolada, isso tinha que acontecer logo comigo, que tenho mania de racionalizar tudo?

E se eu dissesse que eu posso até ser o brinquedinho da prateleira, mas que não sirvo apenas de enfeite, que também  preciso de cuidados,  principalmente após o uso. E se eu colocasse todas as minhas incertezas e frustrações na frente dele, e se eu falasse 'não' de verdade, e se eu parar de fingir que não me importo de viver à sua maneira. E se eu parar de fazer tudo só pra agradar. E se?